PÁGINAS

domingo, 14 de agosto de 2011

Essência

Hoje vi uma floresta
que o sol quase abandonava
enquanto seus olhos de luz
demoravam ainda sobre troncos
folhagens
ramos
pela estrada.
Hoje
percebi uma das essências possíveis de viver
chamada
enquanto.






Mais da poeta Dade Amorim

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Vasta EspeficAção

Amigo leitor,
aproveito a oportunidade na postagem do belíssimo poema "Vasta EspeficAção" da poeta, professora e escritora Hercília Fernandes, para convidá-los à leitura do post  "Nós em Miúdos" em seu blog "novidades & velharias"  onde Hercília fala acerca de seu mais recente trabalho prefaciado pelo poeta e escritor Lau Siqueira.


Vale a pena conferir.

Viva a poesia. Salve os poetas!







qualquer palavra
tentativa de definição
parece demasiada-
mente vaga
quando o sentimento
é vasto
concomitantemente
especific(a)ção




miúdas são as letras
que, em nós, se inscrevem
nos impele a ser.tão


Mais da poeta, letrista e declamadora Hercília Fernandes
Imagem: 
La femme et les roses (The Woman and the Roses) -1929
Marc Chagall

domingo, 3 de julho de 2011

O amor é a essência da arte em todas as suas formas de expressão e na música como na poesia é essencial que o artista o conheça

por Jose Sales, sábado, 2 de julho de 2011 às 22:18



Creio que cabe uma diferenciação entre estar apaixonado e estar amando. A paixão é o fogo que arde na lareira e quando a madeira acaba o fogo se extingue também. O amor é o que mantém a chama acesa colocando sempre uma madeira para queimar e assim o fogo se mantém. Para o músico que faz a música com o amor como seu material de trabalho, as letras são claras como o poeta as escreveu e a interpretação se torna vivida com as emoções saindo a flor da pele e irradiando para a platéia que o assiste. Há um contágio e todos se vêem envolvidos na emoção que percebiam adormecidas e não sabiam como acender das suas brasas a chama. O amor é a essência da arte em todas as suas formas de expressão e na música como na poesia é essencial que o artista o conheça bem senão soa desafinado e sem vida.

sábado, 23 de abril de 2011

ALICE

(André L. Soares)
.
Alice, embebida de pureza,
há poucas horas, chegara ao planeta,
ainda estava imune à maldade,
quando as notícias velozes
rasgaram-lhe as têmporas.



Lágrimas verdes vertendo das retinas,
ponta de dor aguda a lhe fisgar o peito,
grito de clave de sol, preso à garganta,
ela então, vê a santa desnuda
sob a luz fria do cotidiano,...
momento em que o belo pintou-se de breu
(sabor amargo de inocência trincada).



Cansada, recolhe-se ao quarto,
a proteger-se dos cristais e plasmas.
Após sangrar lembranças, cerra pálpebras,
chora e soluça, outra vez, sozinha.
Por fim, Alice adormeceu!
Em seus sonhos ainda existem flores,
a água e a verdade parecem cristalinas
e até o coração do homem é bom.



Acanhado, procurei algo
que a fizesse sentir-se melhor
quando acordasse;
tentei criar um origami, mas já era tarde,...
...eu só tinha em mãos, a realidade.
.
.
.






Mais do poeta André L. Soares

sexta-feira, 15 de abril de 2011

O Poeta

"O Poeta" de Paulo Themudo
Tem o dom de cativar com palavras
A alma nobre e o coração apaixonado
Traduz nos versos de sua poesia
Sentimentos de um ser lindo e acanhado




O mago das palavras, o fingidor
Vive de inventar e inventa de viver
Finge que inventa as palavras
Inventa que fingiu o seu sofrer




Um nobre plebeu desvairado
Um louco sem censura
Com o coração embriagado
Trata damas e putas com candura




O poeta é assim como se vê
Uma simples e terna contradição
Dono das palavras e dos versos
Inquilino dos sonhos e da razão
Autoria: Jão

Mais do poeta Jão

sexta-feira, 1 de abril de 2011

O Som do Tempo

me findei
num traço,
num abraço esquecido
nos calendários da memória,
nesse adorno do tempo
que pariu em mim,
algum almejar
sem fim.



Autoria: Samara Bassi



Mais da poeta Samara Bassi

terça-feira, 29 de março de 2011

A Mão

Pode Deus criar uma pedra que não consiga levantar?
[não sei como, a quem atribuir a autoria desta citação]





Estranho astro, este
Que trago mão ante mão,
Como a fracção da tempestade
Que se ajoelha na dobra do mundo. E
Que brilhante candelabro este,
Vagaroso e precário, restolho
Âncora ou sacrário em folha quebradiça?
Que vértebra de luz para que o corpo se aconteça
Dentro da inquieta anatomia do tempo, esse
Oficio principal da mão poeta?

De perfil, a folha postiça neste tempo comum
É refúgio, cálice e patena
Corpo cálido, quase palavra que se inquieta.
Exangue a palma em ruga fugaz, que duma palavra
Enxerta e fixa, um calendário rebordo
Da lei que não rege, nem fabrica
O acaso acontecimento das estrelas:
- Esta mão, ao invés, conserta todas e cada uma delas!

Senão,
Que equilíbrio mastro, este
Primário poema ou palavra, na mão
Que recolhe uma breve sílaba de profeta,
Um pouco de terra que de pó se fez, e
Um pouco depois, talvez chão. E
Então,
Que pano cobre o céu em aguaceiro,
Que mão-travessa do mundo inteiro,
Em meia medida do poema que recordo?
Que trave pendente no tecto e céu duma só peça,
Pedra que germina a inquieta anatomia do tempo,
Constelação mínima na mão do poeta?

Estranha a mão, esta,
Em papel dobradiço,
Sopro poeira oração, que é
Também sono sobejo, um poema que resta.
Dormita agora, a palavra na unha encravada, dormita,
Enquanto não se prepara para mais um dia da criação!



Mais do poeta português Leonardo B.

domingo, 27 de março de 2011

Canto das Perdizes

Na sombra de uma árvore
quero me abrigar
Sob asas de pássaros
Pousar de leve
meus pés na lama
e olhar estrelas.
E quero ouvir
no útero da terra
o rumor surdo
que clama o nascer
de novas raízes
Quero sentir
O charco, o tambor
a lama, o barro
o olho azul do sol
e antever como
se faz o raiar do
amanhecer no
canto de perdizes.

CANTO GRIS em um diálogo com Paulo Carvalho

sábado, 26 de março de 2011

ao acaso

faço poemas inconsequentes
já não me importo com isso
tudo que espero do poema
é que ele se liberte
que ele me liberte
que ele liberte alguém
ao acaso
[acaso exista ainda
alguém aprisionado
neste tempo absurdo
de liberdade extrema
e solidão
absoluta]





Mais da poeta  Nydia Bonetti