PÁGINAS

terça-feira, 19 de junho de 2012

perfil




na parede morta
minha natureza toda
sem assinatura

saturada de azul
de um quase nu
vinho
púrpura
magenta

e de teu sol oblíquo
a emoldurar meu rosto
respingado de tinta


Mais da poeta Adrianna Coelho

sábado, 16 de junho de 2012

esboço de soneto

esboço de soneto

Ó, severa musa
Dos meus versos:
Do zelo ao gozo,
O amor se aprende,
À pena às vezes
De perdê-lo.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Maria Azenha - "Ascendes ao mais límpido céu"




Nasceu em Coimbra em 29 de Dezembro de 1945. Licenciou-se em Ciências Matemáticas pela Universidade de Coimbra. Exerceu funções docentes nas Universidades de Coimbra, Évora e Lisboa e em escolas secundárias. É actualmente professora de Matemática na Escola de Ensino Artístico António Arroio. mais poemas em: no tempo dos espelhos

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Manoel de Barros - 95 anos

O poeta Manoel de Barros – poeta vivo – comemora seus noventa e cinco anos de idade. Eu, particularmente, sou apaixonada, gosto imensamente de sua arte de escrever e me encanta sua biografia. Costumo dizer que lendo Manoel de Barros volto à infância que não tive...

Seu livro “MANOEL DE BARROS /poesia completa” - Editora Leya, 2010 - foi um presente que me dei em março deste ano. Na dedicatória a mim mesma, escrevi:

E lia e ria

envergonhada

de felicidade –

embriagada de poesia

 

Eu simplesmente não conseguia me conter ao abrir o livro e ler “ENTRADA”.  Estava fascinada. E fascinada cheguei à última página. Já conhecia o poeta, mas era como se o lesse pela primeira vez.

Poderia aqui compartilhar alguns fragmentos ou poemas na íntegra, mas, sinceramente, tentei e não consegui escolher ou colher... Então, deixo "apenas":


Entrada - Manoel de Barros


Distâncias somavam a gente para menos. Nossa morada estava tão perto do abandono que dava até para a gente pegar nele. Eu conversava bobagens profundas com os sapos, com as águas e com as árvores. Meu avô abastecia a solidão. A natureza avançava nas minhas palavras tipo assim: O dia está frondoso em borboletas. No amanhecer o sol põe glórias no meu olho. O cinzento da tarde me empobrece. E o rio encosta as margens na minha voz. Essa fusão com a natureza tirava de mim a liberdade de pensar. Eu queria que as garças me sonhassem. Eu queria que as palavras me gorjeassem. Então comecei a fazer desenhos verbais de imagens. Me dei bem.



*****


Sugestão de site: Fundação Manoel de Barros

Convído-os também à leitura  poema-homenagem  DELÍRIOS DO VERBO ou Arapucas de pegar Manoel - (ao poeta Manoel de Barros) do poeta Wender Montenegro - postado em seu blog.
.


Viva a poesia
Salve os Poetas!

terça-feira, 15 de novembro de 2011

A rosa negra

A rosa negra

Eu sou a rosa negra.
A rosa noturna.
Às vezes, azul de tão negra.
Às vezes, rubra de tão branca.


Eu sou a rosa negra.
A impossível rosa
sempre presente.
A potente rosa,
inatual e sensível.


Claro enigma,
pedra no caminho,
eu sou a rosa negra.
Ideal e pensável,
Imune ao tempo,
Inexistente.


Eu sou a rosa negra cultivada
no secreto jardim.
A rosa anárquica e mística.
A rosa da rosa,
acabada e pronta.




Mais do cronista e poeta Antonio Caetano

sábado, 1 de outubro de 2011

DELÍRIOS DO VERBO ou Arapucas de pegar Manoel - (ao poeta Manoel de Barros)

1

 As manhãs me imensam
como em Ungaretti;
arroios me gorjeiam de esplendor
lá, onde as árvores se garçam
e o sol brinca de arvorecer.

2
A palavra cansanção tem ardimentos
e o menino descalço nem aí
pois lhe escuda a voz dos passarinhos;
esse moleque arteiro estica o sol
carrega o cenho do peru no grito.

3
Bicho danado é maracujá:
engole a voz das ateiras;
as mangueiras roubam o sol do chão
e o pé de mastruz
enverdece os ossos da avó.

4
Mosca de manga
se agiganta no amarelo
como Van Gogh;
borboletas adoçam a aridez dos cactos
e o sanhaçu assusta os mamoeiros.

5
Nas mãos do mar
a linha do horizonte tem cerol
lá, a pipa do céu cai mais depressa
quando as margens da tarde me anoitecem.
 



Wender Montenegro


(Do livro a publicar, CASCA DE NÓS)

Mais de Wender Montenegro em seu blog Poemas de Wender Montenegro

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O CÂNTICO DO MEU SILÊNCIO

Meu silêncio tem voz suave


De manhã é calma e breve
Quando o sol a pino é lenta
Ao entardecer é discreta


Meu silêncio tem voz suave


A noite diminui a sonorização
Antes do sono apenas sussurra
Durante entoa cantigas de ninar


Meu silêncio tem voz suave


Na madrugada é silenciosa
Nos sonhos permanece calada
Na aurora torna-se reflexiva


Meu silêncio tem voz suave


Nos repentes de dúvida é racional
Nos instantes sórdidos é materna
Nos momentos de decisões é paterna


Meu silêncio tem voz suave


Meu silêncio...


Meu silêncio tem voz angelical




Mais do trabalho do poeta Luiz de Almeida

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Um Poema de Raul Motta

TAHRIR


a praça é o ponto
o centro
de tudo

a praça é o tempo
que corre
o alento

a praça é o eixo
incerto
do novo

a praça é o fluxo
que corre
à margem

a praça é o ventre
o abrigo
alimento

a praça é o vômito
do mundo
profundo

a praça é o sonho
a soma
que somos

a praça é o vértice
a ponta
da lança

a praça é o vórtice
a festa
a dança

a praça é o fogo
o furor
que consome

a praça é o todo
é toda
do povo



Mais do poeta Raul Motta em seu blog  Há Palavra