"Guardados" só por gosto. Apenas e tão somente para celebrar a poesia. Viva a Poesia! Salve os Poetas!
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
sábado, 1 de setembro de 2012
Se
Poema de Antônio Moura
Se
tua mãe não houvesse te levado ao colo
àquele
momento, e teus pequenos passos
inocentes
tivessem tomado outro rumo,
pequeno
barco desastrado que ao mar se
perde
ao perder a orientação dos astros e
fosse
de encontro ao rochedo, digo, ao
móvel
de cedro no canto da sala, derrubando
um
vaso e este pequeno detalhe pudesse ter
desencadeado
toda uma trama de eventos,
outra
cadeia de acontecimentos que um após
o
outro fossem entretecendo teu destino
para
um outro roteiro, outra viagem que
em
nenhum instante cruzasse meu caminho,
que,
paralelo ao teu, seguia sob o céu sozinho.
Se
tua mãe não houvesse te levado ao colo
àquele
dia, este dia, eu e tu, acaso, existiria?
Antônio Moura nasceu em 1963 em Belém do Pará. Publicou os livros "Dez" (1996), "Hong Kong" (1999), "Rio Silêncio" (2004), "A Sombra da Ausência" (2009).
Leitura do poema "Se":
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Poemas de Jorge Santos
Supondo que era vassalo dilecto,
Das Galerias da rua dos botequins,
Espalhei p’lo céu, bem lá no alto,
Em reclamos mediáticos e pasquins
Feios, simples e práticos querubins
Sem talento, muitos já com defeito,
Mas o efeito foi oposto e não serviu os fins
Supostos; delas ser, poet’eleito;
Tomei a dor como revestimento,
Sem dar conta q’não mereciam tanto,
(Tais montras impáveis de manequins)
Hoje moro inda mais alto q’no monte
Pr’ás ver d’ponto mais longe e distante,
(Galdérias pintadas nuas en'varandins).
Apesar d’as janelas estarem abertas de par em par,Todo o ruído lá fora se diluiu, sumido no ar… Uma criança que chorava breve, o cochichar das velhas Sobre vidas que não as suas, a indefinição das ruas
Num refrão constante, com todos os sons e notas Que chegavam aos meus ouvidos, como um respirar De pautas musicais, escritas nos vitrais abertos, Lembravam-me místicas visões e novas versões de credos,
Que o não eram, não deparava com magos nas vielas Nem fadas, nem gnomos nesse mundo de mil celas, Apenas janelas de imitação em magros corredores de cal, Mas onde todos os sons soavam para mim de forma original,
Eles, como eu, não durámos para sempre, Não escolhemos o vento que nos soprava No ouvido o respirar do universo, como se fosse Algo que se ouvisse (um pensamento, uma frase…)
Sussurro agora do vazio que tenho no fundo do coração, Os sonhos que outros já sonharam nesta mesma mansão, Apenas as surdas janelas continuam ainda abertas, Mas as velhas da rua não passam , nem consigo mais ouvi-las…
O resto do monólogo... não irias entende-lo
Aqui estou, sossegado, escondido, Longe da vista e dos mistérios Do existir, de tudo, do mundo. Aqui estou, sem me fazer notar muito
Nos meus gestos duplicados. Supondo ter sido tudo dito, De quando enquanto fecho os olhos E é num sonho branco que admito
Coabitar sozinho com a eternidade. Neste inexplicável casulo, Quase um Confessionário de padre, Num sossego nulo…
(O resto do monólogo... não irias entende-lo Nem te servirei eu de consolo ou conselho) Afinal nada de novo acontece neste mundo velho, Eu continuo oculto, morando frente ao espelho.
O resto do monólogo... não irias entende-lo
Aqui estou, sossegado, escondido,
Longe da vista e dos mistérios
Do existir, de tudo, do mundo.
Aqui estou, sem me fazer notar muito
Nos meus gestos duplicados.
Supondo ter sido tudo dito,
De quando enquanto fecho os olhos
E é num sonho branco que admito
Coabitar sozinho com a eternidade.
Neste inexplicável casulo,
Quase um Confessionário de padre,
Num sossego nulo…
(O resto do monólogo... não irias entende-lo
Nem te servirei eu de consolo ou conselho)
Afinal nada de novo acontece neste mundo velho,
Eu continuo oculto, morando frente ao espelho.
sábado, 25 de agosto de 2012
QUATRO POEMAS DE CRIS DE SOUZA
A criatura em perigo
muda de cor
a oração
como um reles
camaleão.
Monstruosa madrugada
dou voltas pela casa
casa envolta em sono
mas que acorda
um monstro
mais que a corda
em meu pescoço
Latim de longa data
feito um romance
que ficasse em aberto
e perto do peito
desperto
feito um romance
que ficasse em aperto
e parte do peito
deserto
por ser lento por dentro:
sem temer desde cedo?
por se lido por dentro:
sem temer o desfecho?
Haicai acordado
no correr da insônia
sonâmbula é a sombra
dos meus dedos
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
A bela poesia de Dade Amorim
Tempo sem tempo
Preparamos penumbra de florestaaves de incenso em pátina de espaçolimita-nos um teto de silêncioe as palavras nos tocamem som de pensamento e voz de sonho.
Temos cenáriosouroasas madurastravo de históriae tímidas ternuras pela boca.
O mesmo gesto modela nossos membrose logo os ata.Falamos juntos coisas separadasvivemos separados coisas juntase uno e o tempo de nossas vestesdistâncias e lugares.
Sob o teto sem fim de nossa sombracaminham nossas sombras de mãos dadas.
Modus operandi
Aqui cabem amor esquecimento
e tudo mais que a vida acondicione
cabe a mochila das férias
e mais o crime
o medo
o espanto e a coorte dos desejos.
Cabe o perdão aqui
contanto que as articulações sejam poupadas
e cabe mais uma vontade imensa
obstinada
de pétalas se abrindo.
Uma homenagem à poetisa Dade Amorim no dia de seu aniversário.
Outros poemas da autora aqui no seu belíssimo espaço "Inscrições"
Uma homenagem à poetisa Dade Amorim no dia de seu aniversário.
Outros poemas da autora aqui no seu belíssimo espaço "Inscrições"
domingo, 19 de agosto de 2012
Leio Poemas em Voz Alta
Leio Poemas em Voz Alta
Escrevo para dormir
ou para perder o sono
matar a sede
saciar a fome:
escrevo para ficar contigo
lembrar de ti
E perdem o encanto
as coisas de vez em quando
então leio poemas
em voz alta
Quebra o silêncio o som da minha voz
e tento visualizar teu rosto feito imagem no horizonte
(fugidio instante)
assim
iguais aos dias que tem feito aqui
com sol
densas nuvens chuva forte
E sol de novo: indecisos instantes...
Vou tocando a vida aqui
reinvento-me e quem faz isso
sabe (o quanto é doloroso)
Mas existe outro jeito?
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
JUGO
Obedecer à doce tirania da palavra.
Anular censura, momento, lugar.
Deixar no papel o verso líquido,
esse pálido espelho da alma.
Enquanto deixo-me estar,
impressionada pela cor da palavra
"pálida".
Ana Cecilia de Sousa Bastos
sábado, 11 de agosto de 2012
"Sonetinho" - Cibele Camargo
Ao encostar-me nos cantos
contemplei aos prantos entre aplausos e encantos
sua parte feia.
Melhor seria sua voz presente
no entanto distante
ficarei com o silêncio a sós
na boca seca a ligação em nós.
Tanto pior, seria anunciar o fim
sem mostrar ao seu chão
as saudades de quem te ama
das lembranças que fez-se o drama.
Qualquer coisa maior que a vida
é meu pensamento
num gemido os enganos
nos labores, os encantos enlaçarão os anos
levarão aquilo que parecia
aos assovios da ventania.
Mais da poeta Cibele Camargo em seu blog.
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
A Flor de Cinza
Prossegue inascitura
na flor exausta
a árvore
recôndita árvore que
um dia abrisse
a flor de cinza
Também nos
jardins suspensos de
babilônia alguma
nascerá a planta
de que é flor
a flor de cinza
A flor de cinza é
quando o tempo
nega o acontecimento
do fruto; é sobre uma
praia aberta, o mar
nunca mais vindo
A flor de cinza está
para uma flor
como um sonho morto
está para
um sonho extinto
E só há um instante x
em que a
flor de cinza
é viva flor, porque
antes
não é flor nenhuma
depois
é flor de cinza.
José Chagas
sábado, 4 de agosto de 2012
À MODA DOS POETAS MEDIEVAIS
Cantiga de Amor com Refrão
A dona que eu sempre amei
Por mim não tem paixão.
Assim, eu sempre sofrerei
Como sofre meu coração.
Triste, triste, será meu fim,
E Deus não tem pena de mim.
Pela vida passo penado
Pelos danos do coração,
De modo que sofro calado
E assim perco a razão.
Vivo, pois, sofrendo assim,
E Deus não tem pena de mim.
Quando desenganado estiver
Por não alcançar tal galardão
Mesmo assim essa mulher
Não sairá de meu coração.
Virão dor e tortura, enfim,
E Deus não tem pena de mim.
Prof. Jayme Bueno
Prof. Jayme Bueno
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