"Guardados" só por gosto. Apenas e tão somente para celebrar a poesia. Viva a Poesia! Salve os Poetas!
domingo, 9 de dezembro de 2012
Dois poemas de Adrianna Coelho
GESTOS
os poemas que ficaram
nos meus olhos
ainda ardem
esfrego a poesia
com a palavra
"choro"
CONTEXTO
recita tuas águas
e brasas
e te condenso
nos meandros
contornos e entremeios
te margeio
em teus vales
horizontes e montanhas
desaprumo
só em teus ventos
me refaço
duna
Poemas de Adrianna Coelho disponíveis no blog Metamorfraseando
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Poemas de Jayme Ferreira Bueno
TERRA NATAL
Não
se nasce em um lugar.
Nascemos
na vida.
O
lugar de nascimento
Não
é apenas uma paisagem na memória.
São
os pais,
os
irmãos.
São
pessoas,
amigos.
É
a infância,
o
despertar para os sonhos,
pequenas
e grandes conquistas:
as
primeiras lições de amor e de sofrimento.
A GRANDE NOITE
A
grande noite se aproxima,
Árvores,
luzes,
Vinho,
pão, mel, frutas maduras.
Aguarda-se
uma visita.
Ouvem-se
cânticos de louvor.
A
grande noite se aproxima.
A
noite chega plena de mistério,
Acendem-se
luzes,
Estouram
fogos,
O
aguardado chega
E
com ele a paz.
A
noite chega plena de mistério.
É
madrugada!
Novo
dia raiará.
O
brilho do sol ofuscará os olhos dos recém-acordados,
Mas
o mistério da noite
Continuará
a embalar os espíritos,
Que,
agora, repousam em paz
E
em harmonia com o universo.
O PRINCÍPIO E O FIM
Um
pequeno lago azul
Com
águas calmas
E
um barco com todos os sonhos
Suavemente
a navegar
Um
imenso oceano escuro
Com
águas encapeladas
E
um cargueiro com tudo da vida
Abruptamente
a naufragar
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Três poemas de Tania Anjos
Delicado
De tão delicado o viver
Parece sopro de flauta doce
Passos de não acordar bebê
Sonho bom em sono solto
De tão delicado o viver
Parece fio de cabelo
branco
Na cabeça de amigo de infância
[03.11.2011]
Minha busca é por essências:
as perguntas certas de Quintana;
o invisível de Exupéry.
No mais, qualquer outro achado é pedra:
inesquecível - como a de Drummond.
De serventia - como as de Coralina.
Bom é não me desfazer de nada!
...
Soube-me peregrina.
[06.05.2010]
Sou mais livre agora
quando agradar ou desagradar
é tão verdadeiramente desimportante quanto
aquele medo tolo de ser sozinha.
Mantenho o passo, a fé e a esperança.
[ E certo orgulho infame de ter me arrependido pouco
– quase nada.
[15.11.2011]
Poemas de Tania Anjos disponíveis no blog No Rastro da Poesia...
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Mulheres líquidas II
![]() |
| Imagem: Yan |
A
mulher quer o amor
como
resgate
de si
arqueia-se
com o empuxo
o homem
deixa solto
o
molinete
indefinidos
metros de fio
invisível
enrolam-se
em torno da mulher
quando
a imagem dela
o
hipnotiza, só
enquanto
ela for mistério
depois
algo a puxa para baixo
o homem
deixa-a escapar
entre
os dedos rijos
o fio
torna-se espessa corda
comprimindo-lhe
o ventre
dentro
dela
algo é
sensivelmente leve
ainda
assim, afunda-a
cheio
de ar
Leia os outros poemas da série "Mulheres líquidas": I e III.
sábado, 1 de dezembro de 2012
Dois textos de Joelma Bittencourt
A meus amigos poéticos
*Argúcia de voz diante desejo de infinito*
acalanto
de lira
em sufoco de pele
sopro
lúdico
em métrica nua
dossel
de versos
adornam-se as mãos
o que a voz não faz
para ser tempo?
*Argúcia de voz diante ausência de Vênus*
se escasseia a companhia
canta-se o prenúncio
das solitudes
se fraqueja a pauta
canta-se o silêncio
nos entre vãos dos olhos
se não há íntimo que valha lira
canta-se o lustro
da madrepérola
porque a concha
também serve para adornar
canta-se o prenúncio
das solitudes
se fraqueja a pauta
canta-se o silêncio
nos entre vãos dos olhos
se não há íntimo que valha lira
canta-se o lustro
da madrepérola
porque a concha
também serve para adornar
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
TEXTOS TRANSFIGURADOS DE JOELMA BITTENCOURT
Uma palavra
sem pena
não faz poema
Tantas sobras
atravancando
caminhos:
passarinhos
passarinhos
limpem o chão!
Somos ínfimos demais
para certos lugares?
Repara!
há lugares imensos
cabendo na gente.
Palavra
é rio sem água
e se corre
e deságua
é por força
de um olhar
Das tantas vezes
que me perguntaram
respondi: sou não...
mas há em mim quem duvide.
respondi: sou não...
mas há em mim quem duvide.
O bom poema
é aquele que varia
conforme os humores!
é aquele que varia
conforme os humores!
Caro Leminski
caso não saiba
aviso que o bicho alfabeto
agora tem vinte e seis patas
ou quase
Fala- Secos & Molhados
terça-feira, 27 de novembro de 2012
PERGUNTAS SEM RESPOSTA
...Se pergunto às pedras elas me dizem de ser pedras, se pergunto a ti não obtenho respostas...
Por que querer-te
Se partes em tardes
E partes nu
Das partes que fomos?
Por que querer-te
Se me quebras as asas
E o encanto de uma vez só?
Se me soltas em pleno vôo
Sem dó?
Por que querer-te
Se teus olhos só dizem
Passados aos meus?
Se ficaste na quietude
De um simples adeus?
Passaram-se os dias e o encanto passou junto....
É impossível olhar para o silêncio da vida, e não perceber os sonhos todos diluídos em noites sem estrelas.
Nem um de nós lembrou de descobrir estrelas afastando nuvens, e nem soube deixar nesgas de céu adentrar, por frinchas, a vida.
É duro constatar que lá longe no caminho houve uma desistência, porque havia espinho e os pés foram tolos o bastante para não pisarem feridos. Tivessem eles mostrado que também se caminha em carne viva.
Agora haveríamos de contar estrelas num céu descoberto e nem só pedras me responderiam de ser pedras.
Tu também me reponderias, de ter sido sonho!
Lázara papandrea
domingo, 25 de novembro de 2012
Dois poemas de Zenilda Lua
Com coração
sertanejo na terra de Cassiano Ricardo, Zenilda Lua faz toda prosa ficar poesia.
1-
Cuidei da
falta tua
gota a
gota
sol ante
sol
vesti-me
de intervalos
oferta,
vigília
e continuei
cuidadosa
aguardando
o término
dessa sua
licença de mim...
2-
Chegou o tempo
do abrandamento
As pedras
se dizimaram dando lugar as perolas
Não haverá
mais febre, lacunas, desencanto
Só pólen,
cítara e carruagem de desejos recíprocos
Nossas lembranças
serão idênticas
E toda
ardência apascentada
Tua certeza;
minha homilia
Minha falta
de rima, a concretude da poesia
Pra tua
alma ágape.
Para saber mais sobre a autora acesse o blogue: http://zenildalua-alfazema.blogspot.com.br/
Para saber mais sobre a autora acesse o blogue: http://zenildalua-alfazema.blogspot.com.br/
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Dois poemas de Mariana Botelho
1.
não sei verbalizar
o abismo
sei cair
dentro dele
como dois olhos que eu avisto e temo
e o chão se demora -
amor -
a tocar meus pés
2.
é uma cidade muito pequena
paratanta distância
é preciso
ir devagar
com os cuidados, meu pai
devagar com os cuidados
é uma cidade muito pequena
para caber tanta dor
Poemas publicados no blog da autora: Suave Coisa - Pra ser guardado.
não sei verbalizar
o abismo
sei cair
dentro dele
como dois olhos que eu avisto e temo
e o chão se demora -
amor -
a tocar meus pés
2.
é uma cidade muito pequena
paratanta distância
é preciso
ir devagar
com os cuidados, meu pai
devagar com os cuidados
é uma cidade muito pequena
para caber tanta dor
Poemas publicados no blog da autora: Suave Coisa - Pra ser guardado.
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
O incenso do verso no verbo: Karinne Santiago
“Me inspiraram a cortejar as
palavras”
http://poeticaria-ensaiodaspalavras.blogspot.com.br/
http://poesiaantimonotonia.blogspot.com.br/
BAILARINA INDIANA VERSA MANTRA SOBRE ANJOS
minha solidão encostou-se à sua
achei engraçado nosso molde
diferentes versões sobre amar
aninhada entre vozes e novelas
debruço-me em seu peito
&&&&&&&&&&
em si: a solidão
fulgura: em mim inaugura só
impregnada de mim e singular eu
sopro restrito em canto uníssono
monólogos de reflexos únicos
apenas sou, digo-me...
dei-me absorta
a passear-me povoada
numa solidão de próprio
logo me defronto
dei-me absorta
a passear-me povoada
numa solidão de próprio
logo me defronto
&&&&&&&&&&
meus olhos não deslizam só verdades
confessam a fome dos dias solitários
reascendem antigos brios e invadem
vestígios de amores desencontrados
&&&&&&&&&&
nua antecipo em
suas mãos
as cicatrizes que me fazem
o arrepio da carne, a cerne
do ventre que me remete
à bela liberdade dos seios
as cicatrizes que me fazem
o arrepio da carne, a cerne
do ventre que me remete
à bela liberdade dos seios
&&&&&&&&&&
a menina não
chorava pétalas
não caia dos olhos tal maciez
era um cravo
vestígio de morte
não caia dos olhos tal maciez
era um cravo
vestígio de morte
era um espinho
ferido
ferido
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