PÁGINAS

sábado, 15 de dezembro de 2012

Os afetos trazem-me as palavras...


E choro e rio e me deixo sentir somente... Tens a capacidade intrínseca de transbordar desejos... Tantos quantos em tuas telas regozijas... Soltas ferozes gritos de aventuras e dor para logo a seguir mostrar caminhos doces... Colores de vermelho teu fundo, teu emblema, teu coração apaixonado que é, por nossa humanidade... E assim te expões, expões a nós, reféns que somos desta vida bela...
                                                                                                                                                                                                               29/8/2012

Ao amigo Antonio Veronese

Antonio,
 dos rostos da agonia,
 das faces da fantasia,
 dos olhos de querer mais...

Antonio,
 das  dores de todos nós,
 dos sonhos mais verdadeiros,
 das  sedes escancaradas!

Antonio,
 Brasileiro de ontem,
 francês do hoje,
 do mundo ,enfim!

Antonio,
 que o Brasil deixou sair,
 mas que entranhado está em todos nós!!
                            
                                                                    Num destes outubros...


Atitude e sensibilidade

Atitude palavra forte porque requer sair da zona de conforto e ver-se de frente com a realidade, tomar pé da situação e seguir!!
Atitude, palavra forte porque requer olhar nos olhos das pessoas, sentir-lhes os anseios e ir em frente!
Atitude, palavra forte porque diz de colocar na estrada determinação, comprometimento e ação!!
              e,
Sensibilidade, ah! Sensibilidade tem a ver com deixar o afeto vir de encontro sem reservas, somente com a vontade de sentir e poder retribuir com ATITUDE!


Graça de Souza Feijó

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Oração

Me falta alguma certeza.As mãos cheias
o silêncio dos olhos inclinados ao mar.

Recolho migalhas de pão
para ofertar aos peregrinos do instante,

é meia noite
a poesia me visita com os olhos líquidos

fala dos braços navegando
dos passos teimando uma praia distante.

Inclino-me sobre a palavra
pássaros bicam o meu coração

a melancolia sorve meus olhos
tenho arames afinando meu canto.

o silêncio absorve minha voz
tento chegar o rosto a janela 

aconchegar o sussurro do vento
contemplar a paisagem além da montanha.

As paisagens, extensões do meu quarto
oceanos sugam o meu peito 

madrugada envolve as cordas vocais.
Há dias o sono não aquece meu pranto

sinto estar no mesmo tempo
em que os mortos regressam a mesa da vida

para celebrar o indizível,
junto a eles canto o exílio dos homens.

A solidão é bela, sublime
um movimento para o encontro.

Em meus olhos as aves extinguiram  vôo
estou tentando pertencer a algo.

Adormeço no colo da esperança:
Que a palavra me ajude a naufragar.

Sandrio Cândido

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Poemas de Dade Amorim




 Os párias


Os anjos da cidade vêm da esquina
de praças e barrancos
surgem do chão de surpresa
já sem asas
estão nos botequins
dormem nos bancos de praça
nas calçadas.

Sofrem de fome em bandos
sem ter aonde levar
seu cheiro
sua revolta.

Os anjos da cidade nos sitiam
deuses sem brilho
feitos de folhas secas e unhas.
São flébeis e nos avisam
com os olhos fugidios
:
o inimigo vem de qualquer lado.

Às vezes velam os que
por suas mãos
restaram mortos
e riem
diante desses anjos desfolhados.

Um anjo desossado ingressa às vezes
no sangue de quem passa
e deita em suas horas e adormece
de um sono escuro opaco de lembranças.

Os párias da cidade todo dia
geram outros anjos feitos
de fumo e cocaína e cola e craque.





Maria

 

 

Maria está diferente
pensa em flores
e elas chegam
ouve vozes
ri atoa.

O que acontece com ela
é uma voz no nextel
e Maria perde o freio.

O dia vem
de repente
antes do sol acordar
porque o poder de Maria
ilumina o mundo em volta.


 

Em família

 

Os pais os olhavam
tristes
como quem sofre
dores muito antigas
sonhos pisados
e um atavismo de culpas
sem remédio.

Na hora mais quente do dia
a casa em desalinho
longe do pai
a mãe lavando a louça
deixaram os brinquedos no porão
tentando salvar a vida
mais para lá do portão.

Levavam
olhos de choro
as dores já tão antigas
dentro da pele.







domingo, 9 de dezembro de 2012

Dois poemas de Adrianna Coelho


GESTOS


os poemas que ficaram
nos meus olhos
ainda ardem

esfrego a poesia
com a palavra
"choro"



CONTEXTO



recita tuas águas
e brasas
e te condenso

nos meandros
contornos e entremeios
te margeio

em teus vales
horizontes e montanhas
desaprumo

só em teus ventos
me refaço
duna



Poemas de Adrianna Coelho disponíveis no blog Metamorfraseando

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Poemas de Jayme Ferreira Bueno


TERRA NATAL

Não se nasce em um lugar.
Nascemos na vida.

O lugar de nascimento
Não é apenas uma paisagem na memória.

São os pais,
os irmãos.
São pessoas,
amigos.

É a infância,
o despertar para os sonhos,
pequenas e grandes conquistas:
as primeiras lições de amor e de sofrimento.



A GRANDE NOITE

A grande noite se aproxima,
Árvores, luzes,
Vinho, pão, mel, frutas maduras.
Aguarda-se uma visita.
Ouvem-se cânticos de louvor.
A grande noite se aproxima.

A noite chega plena de mistério,
Acendem-se luzes,
Estouram fogos,
O aguardado chega
E com ele a paz.
A noite chega plena de mistério.

É madrugada!
Novo dia raiará.
O brilho do sol ofuscará os olhos dos recém-acordados,
Mas o mistério da noite
Continuará a embalar os espíritos,
Que, agora, repousam em paz
E em harmonia com o universo.



O PRINCÍPIO E O FIM

Um pequeno lago azul
Com águas calmas
E um barco com todos os sonhos
Suavemente a navegar

Um imenso oceano escuro
Com águas encapeladas
E um cargueiro com tudo da vida
Abruptamente a naufragar






quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Três poemas de Tania Anjos

Delicado


De tão delicado o viver
Parece sopro de flauta doce
Passos de não acordar bebê
Sonho bom em sono solto
De tão delicado o viver
Parece fio de cabelo
branco
Na cabeça de amigo de infância

[03.11.2011]




Minha busca é por essências:

as perguntas certas de Quintana;
o invisível de Exupéry.

No mais, qualquer outro achado é pedra:

inesquecível - como a de Drummond.
De serventia - como as de Coralina.

Bom é não me desfazer de nada!

...

Soube-me peregrina.

[06.05.2010]



Sou mais livre agora
quando agradar ou desagradar
é tão verdadeiramente desimportante quanto
aquele medo tolo de ser sozinha.

Mantenho o passo, a fé e a esperança.
[ E certo orgulho infame de ter me arrependido pouco
 – quase nada.

[15.11.2011]


Poemas de Tania Anjos disponíveis no blog No Rastro da Poesia...

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Mulheres líquidas II

Imagem: Yan


A mulher quer o amor
como resgate
de si

arqueia-se com o empuxo

o homem deixa solto
o molinete

indefinidos metros de fio
invisível
enrolam-se em torno da mulher
quando a imagem dela
o hipnotiza, só

enquanto ela for mistério

depois algo a puxa para baixo

o homem deixa-a escapar
entre os dedos rijos

o fio torna-se espessa corda
comprimindo-lhe o ventre

dentro dela
algo é sensivelmente leve
ainda assim, afunda-a
cheio de ar


(Lara Amaral)


Leia os outros poemas da série "Mulheres líquidas": I e III

sábado, 1 de dezembro de 2012

Dois textos de Joelma Bittencourt


A meus amigos poéticos

*Argúcia de voz diante desejo de infinito*

acalanto
de lira
em sufoco de pele

sopro
lúdico
em métrica nua

dossel
de versos
adornam-se as mãos

o que a voz não faz
para ser tempo?




*Argúcia de voz diante ausência de Vênus*

se escasseia a companhia
canta-se o prenúncio
das solitudes

se fraqueja a pauta
canta-se o silêncio
nos entre vãos dos olhos

se não há íntimo que valha lira
canta-se o lustro
da madrepérola

porque a concha
também serve para adornar