UM DIA TRISTE
Um dia triste assim, é só mais um dia
Tudo agora é passado, um sorriso calado
Um silêncio em mim, tão fúnebre, tão fel
Estou indo, caminho na estrada e ainda no pó.
Um dia triste assim, é só mais um dia
Desses dias, desses anos que passam por mim
O sem sentido, que para mim nunca mudou
Nos teus olhos eu vi o caminho do fim.
Um dia triste assim, é só mais um dia
Ainda estás por aqui, moras no meu peito
Ficas-te agora no meu silêncio de verdade
E de sonhos tão sonhados, me desenhaste em saudade!
(Poema De Minha Autoria)
"Guardados" só por gosto. Apenas e tão somente para celebrar a poesia. Viva a Poesia! Salve os Poetas!
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
terça-feira, 25 de dezembro de 2012
Que não haja nenhuma alma solitária a ler um poema por essas horas.
Dois poemas
Rossana Masiero
Dois poemas
Rossana Masiero
Duvida
Vai que esse poema
seja verso perturbado
e eu
equivocada
tento organizá-lo
Vai que esse apelo
seja vão de compreensão
enquanto arrisco
transcrevê-lo
Vai que esse ode
é anverso embaralhado
e torna-se avesso
E eu equivocada
e mal alocada
no universo
das palavras
insisto no tema
das coisas
esquivas.
Das madrugadas
Amanheço assim
desguarnecida
de dormências
Tão empoemada
e sentimental
Que meu lirismo
fende a madrugada
de desmesuras
e ensolaram de manhãs
Só sou um vórtice
onde versejam
sonhos mal dormidos
até onde se entoam
junto à vigília o
delírio das fictícias
melodias do poema.
domingo, 23 de dezembro de 2012
Um poema de Nydia Bonetti
ágoras pós-modernas
há monges lá fora
e cantam salmos : entoam mantras
não são espelhos
são poucos
destoam
dos muitos iguais
tenho medo
do homem que faz a bomba
duplica seres : conquista o espaço
mas não respeita
o espaço do outro
(seu igual pelo avesso?)
em cavernas ainda
nem descobrimos o fogo
que nos iguala
quando nos torna cinzas
[... e o fogo do espírito
o tempo todo sobre nossas cabeças
animais
Nydia Bonetti
há monges lá fora
e cantam salmos : entoam mantras
não são espelhos
são poucos
destoam
dos muitos iguais
tenho medo
do homem que faz a bomba
duplica seres : conquista o espaço
mas não respeita
o espaço do outro
(seu igual pelo avesso?)
em cavernas ainda
nem descobrimos o fogo
que nos iguala
quando nos torna cinzas
[... e o fogo do espírito
o tempo todo sobre nossas cabeças
animais
Nydia Bonetti
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
OS POEMAS DE CENTAURO
I
Agora que já
Estamos sozinhos
Permita-me provar
O fogo da peçonha
que alimenta
A alma inquieta
E me deixe apascentar
- Sem medo - os incautos
Girassóis do entardecer
II
Onde passeei os olhos
Havia paredes
Tateei nas redes
Do insólito
E a caligrafia do destino
Rabiscava a medo
III
Guardo os vestígios
Da tua última morada
Quando abrasavas o sexo
Das minhas mornas palavras
IV
Ruminarei as aragens
dessas mornas paisagens
e com (e)terna calma,
irei pastorear o silêncio
Na quadra de um rio
V
Perdoai a singela aurora
Que rouba dos olhos
A lágrima incandescente
Sinto algo de sal
Na idade reticente
Desse espírito
Que em mim habita
Essas palavras soltas
VI
Não há perdão para o silêncio
Que ora insinuas sob as
vestes
Quero o pasto
delicado
da tua pele
e o repouso
sincero
de um abraço
VII
Nada mais que silêncio
Aflora desse estar inquieto
É um alvoroço sem fim
O horizonte inquebrantável
VIII
e tanta coisa era
ao mesmo tempo
- nada -
o espelho
refletindo
o deserto
o meu rosto
espraiado
na planície
e o claro enigma
da luz: decerto
Assis Freitas
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
3 Poemas de Daniela Delias
A dança
das pedras
diremos das pedras outra vez
dos pés e do limo
até que tudo reste ínfimo
e castas palavras dancem nuas
sob um céu vermelho-vivo
de nossa sede
não diremos
nem das noites em que vens
e farta de não ser
sangro em tua língua
caminho tuas costas
Azulejos
não dançamos aquele blues
nem daquele amor
(de morrer tambores
arrebentando o peito)
morremos
ontem reparei nos azulejos
nos respingos de tinta verde
sobre a pedra do alpendre
pensei em comida, correio
no preço do pão e das flores
no sol que lambe minha carne
na cor que cobre meus cabelos
é tão clichê morrer de amor
e nem dançamos aquele blues
nem daquele amor
(de morrer tambores
arrebentando o peito)
morremos
ontem reparei nos azulejos
nos respingos de tinta verde
sobre a pedra do alpendre
pensei em comida, correio
no preço do pão e das flores
no sol que lambe minha carne
na cor que cobre meus cabelos
é tão clichê morrer de amor
e nem dançamos aquele blues
Zepelim
eu poderia ser Alice
lábios cor-de-fim-do-mundo
atravessando o oceano
você veria um zepelim
eu poderia ser Alice entre tulipas
Amsterdam, tarde de outubro
você diria Rosa, Violeta
amor em mim, nome de flor
eu poderia ser Alice em seu quarto
ou num hotel à beira-mar, ao sul do mundo
você diria aqueles nomes absurdos
Rosa, Alice, Violeta, amor em mim
meu Zepelim ao sul do mundo
eu poderia ser Alice
e morar em seus versos
sábado, 15 de dezembro de 2012
Os afetos trazem-me as palavras...
E choro e rio e me deixo sentir somente... Tens a capacidade
intrínseca de transbordar desejos... Tantos quantos em tuas telas regozijas... Soltas
ferozes gritos de aventuras e dor para logo a seguir mostrar caminhos doces... Colores
de vermelho teu fundo, teu emblema, teu coração apaixonado que é, por nossa
humanidade... E assim te expões, expões a nós, reféns que somos desta vida
bela...
29/8/2012
Ao amigo Antonio Veronese
Antonio,
dos rostos da agonia,
das faces da
fantasia,
dos olhos de querer
mais...
Antonio,
das dores de todos nós,
dos sonhos mais
verdadeiros,
das sedes escancaradas!
Antonio,
Brasileiro de ontem,
francês do hoje,
do mundo ,enfim!
Antonio,
que o Brasil deixou
sair,
mas que entranhado
está em todos nós!!
Num destes outubros...
Atitude e sensibilidade
Atitude palavra forte porque requer sair da zona de conforto
e ver-se de frente com a realidade, tomar pé da situação e seguir!!
Atitude, palavra forte porque requer olhar nos olhos das pessoas,
sentir-lhes os anseios e ir em frente!
Atitude, palavra forte porque diz de colocar na estrada
determinação, comprometimento e ação!!
e,
Sensibilidade, ah! Sensibilidade tem a ver com deixar o
afeto vir de encontro sem reservas, somente com a vontade de sentir e poder
retribuir com ATITUDE!
Graça de Souza Feijó
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
Oração
Me falta alguma certeza.As mãos cheias
o silêncio dos olhos inclinados ao mar.
aconchegar o sussurro do vento
contemplar a paisagem além da montanha.
As paisagens, extensões do meu quarto
oceanos sugam o meu peito
madrugada envolve as cordas vocais.
Há dias o sono não aquece meu pranto
sinto estar no mesmo tempo
em que os mortos regressam a mesa da vida
o silêncio dos olhos inclinados ao mar.
Recolho migalhas de pão
para ofertar aos peregrinos do instante,
é meia noite
a poesia me visita com os olhos líquidos
fala dos braços navegando
dos passos teimando uma praia distante.
Inclino-me sobre a palavra
pássaros bicam o meu coração
a melancolia sorve meus olhos
tenho arames afinando meu canto.
o silêncio absorve minha voz
tento chegar o rosto a janela
para ofertar aos peregrinos do instante,
é meia noite
a poesia me visita com os olhos líquidos
fala dos braços navegando
dos passos teimando uma praia distante.
Inclino-me sobre a palavra
pássaros bicam o meu coração
a melancolia sorve meus olhos
tenho arames afinando meu canto.
o silêncio absorve minha voz
tento chegar o rosto a janela
aconchegar o sussurro do vento
contemplar a paisagem além da montanha.
As paisagens, extensões do meu quarto
oceanos sugam o meu peito
madrugada envolve as cordas vocais.
Há dias o sono não aquece meu pranto
sinto estar no mesmo tempo
em que os mortos regressam a mesa da vida
para celebrar o indizível,
junto a eles canto o exílio dos homens.
A solidão é bela, sublime
um movimento para o encontro.
Em meus olhos as aves extinguiram vôo
estou tentando pertencer a algo.
Adormeço no colo da esperança:
Que a palavra me ajude a naufragar.
Sandrio Cândido
junto a eles canto o exílio dos homens.
A solidão é bela, sublime
um movimento para o encontro.
Em meus olhos as aves extinguiram vôo
estou tentando pertencer a algo.
Adormeço no colo da esperança:
Que a palavra me ajude a naufragar.
Sandrio Cândido
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Poemas de Dade Amorim
Os párias
Os anjos da cidade vêm da esquina
de praças e barrancos
surgem do chão de surpresa
já sem asas
estão nos botequins
dormem nos bancos de praça
nas calçadas.
Sofrem de fome em bandos
sem ter aonde levar
seu cheiro
sua revolta.
Os anjos da cidade nos sitiam
deuses sem brilho
feitos de folhas secas e unhas.
São flébeis e nos avisam
com os olhos fugidios
:
o inimigo vem de qualquer lado.
Às vezes velam os que
por suas mãos
restaram mortos
e riem
diante desses anjos desfolhados.
Um anjo desossado ingressa às vezes
no sangue de quem passa
e deita em suas horas e adormece
de um sono escuro opaco de
lembranças.
Os párias da cidade todo dia
geram outros anjos feitos
de fumo e cocaína e cola e craque.
Maria
Maria está
diferente
pensa em flores
e elas chegam
ouve vozes
ri atoa.
O que acontece
com ela
é uma voz no
nextel
e Maria perde o
freio.
O dia vem
de repente
antes do sol
acordar
porque o poder
de Maria
ilumina o mundo
em volta.
Em família
Os pais os
olhavam
tristes
como quem sofre
dores muito
antigas
sonhos pisados
e um atavismo de
culpas
sem remédio.
Na hora mais
quente do dia
a casa em
desalinho
longe do pai
a mãe lavando a
louça
deixaram os
brinquedos no porão
tentando salvar
a vida
mais para lá do
portão.
Levavam
olhos de choro
olhos de choro
as dores já tão
antigas
dentro da pele.
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