Próximo!
A minha justiça encurva-se aos ultimatos da ProleSocioCapital.
Minha reputação cai por terra
quando minha tecnologia é antiquada:
Minha reputação cai por terra
quando minha tecnologia é antiquada:
o mesmo celular, o mesmo computador, o mesmo ...
O mesmo após dois anos causa-me alcunhas: Antediluviano, Subdesenvolvido, Decadente!
Nosso apetite alargou:
Temos fome de fibra óptica, fome de silício, fome de plasma,
fome de ver a realidade projetada através de um elemento artificial.
Bons tempos àqueles que a contradição
paria lutas.
O futuro nos oferecerá ventos e chuvas
nas salas de espera.
O mesmo após dois anos causa-me alcunhas: Antediluviano, Subdesenvolvido, Decadente!
Nosso apetite alargou:
Temos fome de fibra óptica, fome de silício, fome de plasma,
fome de ver a realidade projetada através de um elemento artificial.
Bons tempos àqueles que a contradição
paria lutas.
O futuro nos oferecerá ventos e chuvas
nas salas de espera.
*
O Tear de Gaza
ATO I
A Agulha
Contaram que em Gaza duas crianças
brincavam de tabuleiro
quando a Estrela de Seis Pontas
expediu um míssil que emudeceu a casa inteira.
(vermelho, cinzas e fogo)
A mãe (que estava em seu tear) acolheu o informe
através do padeiro e, por conseguinte
cravou uma agulha no coração (repetidas vezes)
enquanto proferia uma maldição repleta de pranto:
Oh, filhos de Israel!
Não haverá espigões para resguardarem
vossas rosas.
A agulha que me lança
nos braços dos meus antepassados
derramará veneno sobre
a ceifa futura e
teus filhos não terão mãos
para brincarem com tabuleiros de usura.
Dizem por aquelas trincheiras
que para cada filho assassinado em Gaza
há uma maldição professada contra os seus verdugos
até o ultimar de uma quinta geração.
ATO II
Silenciadores
Pelo cadáver lançado
a mais de cem metros.
Pela pegada de sangue
da mãe rebelada.
Pelos filhos escoltados
no futuro orfanato.
Convocamos um minuto de revolta por Gaza,
pois o silêncio (até hoje) só serviu de munição.
![]() |
Arte: Lisa Alves |
ATO III
Antropofagia
Dois foguetes
Para cada “Não!” confesso.
Devorarei os ossos dos meus filhos
quando não sobrarem mais suprimentos,
para que não se volvam em iguaria basilar do Inimigo.
Insurgente alma,
durma nessa carne
que nomeio corpo
e não desperte mais pelas manhãs – nem labute ao lado de nossos fantasmas.
Gaza, eu não desejo mais uma noite!
*