TÃO POUCO I
Há muito no tão pouco
que trocamos tão
denso, intenso e fluido
Nos impele, hidráulico
no irrefreável curso
forçado e tão i-
lusoriamente livre
Pendes como fenda
ameaçando-me en-
tranhar regressiva-
mente ao avesso da
sequência natural
que nos exige nas-
cer, crescer e morrer
(com sorte encontrando
consorte com quem
reproduzir nossa miséria)
Amo-te a cada pequena morte
com que me inspiras cadaver-
so com que me transpiras
no corpo o reverso dum morto
ou te ao menos adias-me tal
TÃO POUCO II
Mero, resto-me
ou nem isso:
metafísico
Quero-te
Ou quase:
fantasio
Penso-me
ou nem isso:
iludo
Nisso me olhas
e me quase vês
ao projetar-me
desejando-te
como desmesurada
supões que deverias
demais gostosa
ser
Para mim que meramente
como quimericamente
como-te
és
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