PÁGINAS

terça-feira, 17 de julho de 2012

POEMA DE CRISTIANE RODRIGUES

PRECE À ÁRVORE DO DRAGOEIRO
Para Raquel Illescas Bueno

eu pedi aquela flor
eu pedi eu pedi
aquela flor!

como quem dá comida a pássaros
a árvore desprendeu-se dela
e ma ofertou

deu-me a flor como quem faz poesia sem querer:
um movimento de alma trepidou de leve seu tronco
e desgalhou lirismo sobre as visitantes

sorri de volta e passei
como antes tantos outros milhares pousados no minuto de sua sombra

PRECE À ÁRVORE DO DRAGOEIRO

Poema de Cristiane Rodrigues PRECE À ÁRVORE DO DRAGOEIRO Para Raquel Illescas Bueno eu pedi aquela flor eu pedi eu pedi aquela flor! como quem dá comida a pássaros a árvore desprendeu-se dela e ma ofertou deu-me a flor como quem faz poesia sem querer: um movimento de alma trepidou de leve seu tronco e desgalhou lirismo sobre as visitantes sorri de volta e passei como antes tantos outros milhares pousados no minuto de sua sombra

sábado, 14 de julho de 2012

AS 4 ESTAÇÕES



"As 4 Estações de Vivaldi"
Arte: José Isabelino Martins Coelho




AS 4 ESTAÇÕES


1.


Na tarde de abril,
gotas brincam na vidraça
com ar infantil.


2.


Um frio cristalino.
O vento geme nas frinchas
o som de um violino.


3.


Sorri para mim
a brisa da primavera.
Flores no jardim.


4.


Vibra uma cigarra
ao sol quente do cerrado
cordas de guitarra.




Jayme Bueno








Mais sobre o trabalho do Prof. Jayme Bueno em seu blog

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Fragmento de uma Prosa Íntima (Ao poeta Marco Lucchesi)




...
em noites como esta
sem diálogo


eu me encerrava
em minhas próprias matas


                       nas brenhas


das
minhas próprias Índias
e Bornéus


e dava-me à ilusão
de ser uma ave empoleirada
numa fronde
em terra de silêncios


                        decretados


e conforme a
lua se movia
minha plumagem refletia
mil cores


Em noites de desterro
também compreendo
a solidão
dos tuaregues


Daí meus desertos
que
no
entanto
sempre imploram
por verdura


 Fragmento de uma Prosa Íntima (Ao poeta Marco Lucchesi), de Assis de Mello, é um dos poemas  do livro


Assis de Mello
NA BORDA DA ILHA
poemas


Mais do poeta Assis de Mello em  COISAS DO CHICO

terça-feira, 19 de junho de 2012

perfil




na parede morta
minha natureza toda
sem assinatura

saturada de azul
de um quase nu
vinho
púrpura
magenta

e de teu sol oblíquo
a emoldurar meu rosto
respingado de tinta


Mais da poeta Adrianna Coelho

sábado, 16 de junho de 2012

esboço de soneto

esboço de soneto

Ó, severa musa
Dos meus versos:
Do zelo ao gozo,
O amor se aprende,
À pena às vezes
De perdê-lo.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Maria Azenha - "Ascendes ao mais límpido céu"




Nasceu em Coimbra em 29 de Dezembro de 1945. Licenciou-se em Ciências Matemáticas pela Universidade de Coimbra. Exerceu funções docentes nas Universidades de Coimbra, Évora e Lisboa e em escolas secundárias. É actualmente professora de Matemática na Escola de Ensino Artístico António Arroio. mais poemas em: no tempo dos espelhos

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Manoel de Barros - 95 anos

O poeta Manoel de Barros – poeta vivo – comemora seus noventa e cinco anos de idade. Eu, particularmente, sou apaixonada, gosto imensamente de sua arte de escrever e me encanta sua biografia. Costumo dizer que lendo Manoel de Barros volto à infância que não tive...

Seu livro “MANOEL DE BARROS /poesia completa” - Editora Leya, 2010 - foi um presente que me dei em março deste ano. Na dedicatória a mim mesma, escrevi:

E lia e ria

envergonhada

de felicidade –

embriagada de poesia

 

Eu simplesmente não conseguia me conter ao abrir o livro e ler “ENTRADA”.  Estava fascinada. E fascinada cheguei à última página. Já conhecia o poeta, mas era como se o lesse pela primeira vez.

Poderia aqui compartilhar alguns fragmentos ou poemas na íntegra, mas, sinceramente, tentei e não consegui escolher ou colher... Então, deixo "apenas":


Entrada - Manoel de Barros


Distâncias somavam a gente para menos. Nossa morada estava tão perto do abandono que dava até para a gente pegar nele. Eu conversava bobagens profundas com os sapos, com as águas e com as árvores. Meu avô abastecia a solidão. A natureza avançava nas minhas palavras tipo assim: O dia está frondoso em borboletas. No amanhecer o sol põe glórias no meu olho. O cinzento da tarde me empobrece. E o rio encosta as margens na minha voz. Essa fusão com a natureza tirava de mim a liberdade de pensar. Eu queria que as garças me sonhassem. Eu queria que as palavras me gorjeassem. Então comecei a fazer desenhos verbais de imagens. Me dei bem.



*****


Sugestão de site: Fundação Manoel de Barros

Convído-os também à leitura  poema-homenagem  DELÍRIOS DO VERBO ou Arapucas de pegar Manoel - (ao poeta Manoel de Barros) do poeta Wender Montenegro - postado em seu blog.
.


Viva a poesia
Salve os Poetas!

terça-feira, 15 de novembro de 2011

A rosa negra

A rosa negra

Eu sou a rosa negra.
A rosa noturna.
Às vezes, azul de tão negra.
Às vezes, rubra de tão branca.


Eu sou a rosa negra.
A impossível rosa
sempre presente.
A potente rosa,
inatual e sensível.


Claro enigma,
pedra no caminho,
eu sou a rosa negra.
Ideal e pensável,
Imune ao tempo,
Inexistente.


Eu sou a rosa negra cultivada
no secreto jardim.
A rosa anárquica e mística.
A rosa da rosa,
acabada e pronta.




Mais do cronista e poeta Antonio Caetano