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sexta-feira, 14 de junho de 2013

A Poética Profunda de Sant Anna

(Fotografia: Cris de Souza)


Suíte para uma pisciana numa indisfarçável  baía

I
Acalenta, sim. 
Acalenta. 

Quando disfarço, 
é para dizer o contrário 
como se 
me arrancassem a língua, 

mas qualquer outra coisa 
que o diga 
poderia atrapalhar 
a separação do joio do trigo, 

e não seria para menos 
se o tanto  que te falei 
ou o tanto que te pedi 
não fizesse o vento 
tão peremptório 
atrapalhando 
a conjunção das borboletas. 

Mas estamos quites. 


II
As sereias  
nunca negaram a entranha 
que não ostentam. 

Despi-las,
sempre foi 
um estranhamento. 

Sempre foi  um nexo absurdo 
no mundo oblíquo dessas sacerdotisas. 


III
Além de ti, 
a última sentença que prolato, 
entretanto,  é minha discreta mão 
singrando o vento fosco 
e morrendo infinda  no limite 
da sua baía.

(José Carlos Sant Anna)

* O autor escreve AQUI.