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terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Que não haja nenhuma alma solitária a ler um poema por essas horas.

Dois poemas 
Rossana Masiero


Duvida

Vai que esse poema
seja verso perturbado
e eu
equivocada
tento organizá-lo
Vai que esse apelo
seja vão de compreensão
enquanto arrisco
transcrevê-lo
Vai que esse ode
é anverso embaralhado
e torna-se avesso
E eu equivocada
e mal alocada
no universo
das palavras
insisto no tema
das coisas
esquivas.

Das madrugadas

Amanheço assim
desguarnecida
de dormências
Tão empoemada
e sentimental
Que meu lirismo
fende a madrugada
de desmesuras
e ensolaram de manhãs
Só sou um vórtice
onde versejam
sonhos mal dormidos
até onde se entoam
junto à vigília o
delírio das fictícias
melodias do poema.

domingo, 25 de novembro de 2012

Dois poemas de Zenilda Lua


Com coração sertanejo na terra de Cassiano Ricardo, Zenilda Lua faz toda prosa ficar poesia.

1- 
Cuidei da falta tua
gota a gota
sol ante sol
vesti-me de intervalos
oferta, vigília
e continuei cuidadosa
aguardando o término
dessa sua licença de mim...


2- 
Chegou o tempo do abrandamento
As pedras se dizimaram dando lugar as perolas
Não haverá mais febre, lacunas, desencanto
Só pólen, cítara e carruagem de desejos recíprocos
Nossas lembranças serão idênticas
E toda ardência apascentada
Tua certeza; minha homilia
Minha falta de rima, a concretude da poesia
Pra tua alma ágape.


Para saber mais sobre a autora acesse o blogue: http://zenildalua-alfazema.blogspot.com.br/


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Dois poemas




Solo

Coreógrafa
de carências
danço só
na (de)cadência
que
bem
me
apraz
Meu descompasso
afugenta
parcerias...

Agustin Bejarano


Coisas e nadas

Como sorver o oco
 e sentir gosto 
no insosso?
E experimentar sensação
num intimo de nada?
Quem há de ter prazer no
recôndito da cava?
Imensurável a peripécia
de saciar fome
digerindo vácuos
e ausências.

Rossana Masiero