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domingo, 23 de dezembro de 2012

Um poema de Nydia Bonetti

ágoras pós-modernas
há monges lá fora
e cantam salmos : entoam mantras
não são espelhos
são poucos
destoam
dos muitos iguais
tenho medo
do homem que faz a bomba
duplica seres : conquista o espaço
mas não respeita
o espaço do outro
(seu igual pelo avesso?)
em cavernas ainda
nem descobrimos o fogo
que nos iguala
quando nos torna cinzas
[... e o fogo do espírito
o tempo todo sobre nossas cabeças
animais


Nydia Bonetti

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Dois poemas de Mariana Botelho

1.

não sei verbalizar
o abismo

sei cair
dentro dele
como dois olhos que eu avisto e temo

e o chão se demora -
amor -
a tocar meus pés



2.

é uma cidade muito pequena

paratanta distância


é preciso

ir devagar

com os cuidados, meu pai


devagar com os cuidados


é uma cidade muito pequena
para caber tanta dor


Poemas publicados no blog da autora: Suave Coisa - Pra ser guardado.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Deus






Um Deus silencioso nos impele
a compreender a linguagem dos sinais.
Há em tudo um sentido : velado
à espera de quem melhor o traduza.
O verbo – o do princípio - segue
desafiando
razão : descrenças : preconceitos
[loucura : crenças : prepotências]
nas noites mais escuras
pode-se ouvir um eco vindo de dentro
do corpo/templo
em que este Deus habita.
No tempo do silêncio dos homens.

Nydia Bonetti






quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Poesia de Nydia Bonetti

  Nydia Bonetti, poeta de sensibilidade única. 




                                                              Asas aflitas



fase silenciosa
antes do amanhecer

(como demora o sol
quando se espera por ele)

asas aflitas o pressentem

(sou do bando dos pássaros
acordadores do sol)

desde sempre assim
(antiga sina)

eu espero por ele
ele espera por mim

- e a noite perpetua



rebeladas penas

é tanto sol
que uma pena da minha asa preguiçosa se soltou

voou leve lá fora

do meu ninho pude ver o vôo silencioso das penas
que flutuam

outras tantas se rebelam agora - mal posso contê-las
ansiosas asas se contorcem

e o vento e o sol e o vento - fui... ganhei o céu



nenhuns

singelos ou loucos vamos
fazendo poesia
pois que somos todos
uns ou outros
ambos talvez
nenhuns   



   (Nydia Bonetti)

sábado, 26 de março de 2011

ao acaso

faço poemas inconsequentes
já não me importo com isso
tudo que espero do poema
é que ele se liberte
que ele me liberte
que ele liberte alguém
ao acaso
[acaso exista ainda
alguém aprisionado
neste tempo absurdo
de liberdade extrema
e solidão
absoluta]





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