PÁGINAS

terça-feira, 24 de julho de 2012

Aelo



I.

Voa sobre a terra firme
para inspirar
a imobilidade.

Dança a pura transgressão:
um pássaro do espanto.

Venera a paisagem afogada
de onde foge para a

liberdade.

Amanhã, talvez
a sombria
indecisão do voo
o pouco alimento

- restará a fome.

Mas, hoje, o sol
pesa como um corpo
deita seu calor
sobre o ouro.

II.

Outro, que voa: o amor,
(imaterial) peso do mundo.

Hoje, sobre mim, amor,
o peso da matéria
do mundo.

(suspensa e atônita)

A humanidade de um anjo
a angeologia de um homem.

Síntese impossível:
homemulheranjo
e o pássaro do assombro.

III.

Vigoroso pacto
de mãos que tecem
em asas

curvas
e fêmures da palavra.

O bico
do seio.

O osso
fratura o silêncio
com a música

de ave do espanto.

IV.

Canta com a rouquidão da voz
inventada nas cordas de um grito:

a harpia

leva o desejo de som
enquanto o gozo da semente

sobrevoa in
certezas

- o aelo da perplexidade
é um desejo aéreo de brotar

da terra

Valsa sobre a esperança.



“O peso do mundo é o amor”, Allen Ginsberg, em Canção.



Mais da poesia de
Roberta Tostes Daniel em seu blog "Sede em frente ao mar".

sexta-feira, 20 de julho de 2012

era preciso saber escuros

era preciso saber escuros


trago  madrugada nos olhos
a  marca d’escuro na fala

ao arrepio dos lumes
pelas tantas mortalhas dos dias
[redentoras ofertas em luzes obscuras

oferto-vos a mão fraterna das noites
gestos silentes teatro de velas

coreografia dos signos
confraria das danças seus cios
[ao corte do pêndulo uma clave de sol

convido-os aos mergulhos profundos
liame de luzes revelam peixes

em distância de voos
raro equilíbrio o grão e o brilho
[sabe o albatroz das flores dos mares

entrego-vos bocados de sol às noites
nuas de luas echarpe eclipses

pesadas folhas de céu
nuvens encarnadas por lápides
[epitáfio em aço punhal cor d’olivas

recolho-me junto às folhagens e humos
conhecemos o sabor da terra 





Mais do poeta Paulo de Carvalho

terça-feira, 17 de julho de 2012

POEMA DE CRISTIANE RODRIGUES

PRECE À ÁRVORE DO DRAGOEIRO
Para Raquel Illescas Bueno

eu pedi aquela flor
eu pedi eu pedi
aquela flor!

como quem dá comida a pássaros
a árvore desprendeu-se dela
e ma ofertou

deu-me a flor como quem faz poesia sem querer:
um movimento de alma trepidou de leve seu tronco
e desgalhou lirismo sobre as visitantes

sorri de volta e passei
como antes tantos outros milhares pousados no minuto de sua sombra

PRECE À ÁRVORE DO DRAGOEIRO

Poema de Cristiane Rodrigues PRECE À ÁRVORE DO DRAGOEIRO Para Raquel Illescas Bueno eu pedi aquela flor eu pedi eu pedi aquela flor! como quem dá comida a pássaros a árvore desprendeu-se dela e ma ofertou deu-me a flor como quem faz poesia sem querer: um movimento de alma trepidou de leve seu tronco e desgalhou lirismo sobre as visitantes sorri de volta e passei como antes tantos outros milhares pousados no minuto de sua sombra

sábado, 14 de julho de 2012

AS 4 ESTAÇÕES



"As 4 Estações de Vivaldi"
Arte: José Isabelino Martins Coelho




AS 4 ESTAÇÕES


1.


Na tarde de abril,
gotas brincam na vidraça
com ar infantil.


2.


Um frio cristalino.
O vento geme nas frinchas
o som de um violino.


3.


Sorri para mim
a brisa da primavera.
Flores no jardim.


4.


Vibra uma cigarra
ao sol quente do cerrado
cordas de guitarra.




Jayme Bueno








Mais sobre o trabalho do Prof. Jayme Bueno em seu blog

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Fragmento de uma Prosa Íntima (Ao poeta Marco Lucchesi)




...
em noites como esta
sem diálogo


eu me encerrava
em minhas próprias matas


                       nas brenhas


das
minhas próprias Índias
e Bornéus


e dava-me à ilusão
de ser uma ave empoleirada
numa fronde
em terra de silêncios


                        decretados


e conforme a
lua se movia
minha plumagem refletia
mil cores


Em noites de desterro
também compreendo
a solidão
dos tuaregues


Daí meus desertos
que
no
entanto
sempre imploram
por verdura


 Fragmento de uma Prosa Íntima (Ao poeta Marco Lucchesi), de Assis de Mello, é um dos poemas  do livro


Assis de Mello
NA BORDA DA ILHA
poemas


Mais do poeta Assis de Mello em  COISAS DO CHICO

terça-feira, 19 de junho de 2012

perfil




na parede morta
minha natureza toda
sem assinatura

saturada de azul
de um quase nu
vinho
púrpura
magenta

e de teu sol oblíquo
a emoldurar meu rosto
respingado de tinta


Mais da poeta Adrianna Coelho

sábado, 16 de junho de 2012

esboço de soneto

esboço de soneto

Ó, severa musa
Dos meus versos:
Do zelo ao gozo,
O amor se aprende,
À pena às vezes
De perdê-lo.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Maria Azenha - "Ascendes ao mais límpido céu"




Nasceu em Coimbra em 29 de Dezembro de 1945. Licenciou-se em Ciências Matemáticas pela Universidade de Coimbra. Exerceu funções docentes nas Universidades de Coimbra, Évora e Lisboa e em escolas secundárias. É actualmente professora de Matemática na Escola de Ensino Artístico António Arroio. mais poemas em: no tempo dos espelhos