PÁGINAS

sábado, 1 de outubro de 2011

DELÍRIOS DO VERBO ou Arapucas de pegar Manoel - (ao poeta Manoel de Barros)

1

 As manhãs me imensam
como em Ungaretti;
arroios me gorjeiam de esplendor
lá, onde as árvores se garçam
e o sol brinca de arvorecer.

2
A palavra cansanção tem ardimentos
e o menino descalço nem aí
pois lhe escuda a voz dos passarinhos;
esse moleque arteiro estica o sol
carrega o cenho do peru no grito.

3
Bicho danado é maracujá:
engole a voz das ateiras;
as mangueiras roubam o sol do chão
e o pé de mastruz
enverdece os ossos da avó.

4
Mosca de manga
se agiganta no amarelo
como Van Gogh;
borboletas adoçam a aridez dos cactos
e o sanhaçu assusta os mamoeiros.

5
Nas mãos do mar
a linha do horizonte tem cerol
lá, a pipa do céu cai mais depressa
quando as margens da tarde me anoitecem.
 



Wender Montenegro


(Do livro a publicar, CASCA DE NÓS)

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7 comentários:

Tania Anjos disse...

Wender,

estou encantada com tanto talento...

Parabéns! Sucesso!

Abraços,
Taninha

Wender Montenegro disse...

Obrigado, Tania, por publicar esse poema em seu blogue! Agradeço o carinho de sua leitura, ao meu poema e ao grande Manoel de Barros! E parabéns pelo espaço dedicado à poesia! Gostei muito!
Abraços do
Wender

Tania Anjos disse...

Wender,

eu gosto demais, amo, a poesia de Manoel de Barros. Acho que "doce de coco", comparação que fez Guimarães Rosa, é perfeita . Inclusive, quando as leio, vou devagar - para não acabar logo. rsss...

Abraços.

dade amorim disse...

Wender é um poeta dos bons. Gostei de encontrá-lo aqui, Tania
Beijo pra você.

Tania Anjos disse...

É verdade! Muito, muito bom mesmo!

Beijo pra você também, Dade!

Obrigada.

MIRZE disse...

Wender!

Acabei de fechar "Gramática Expositiva do Chão". Entrei aqui e senti como a continuação do livro.

Excelente!

Beijos

Mirze

Felicidade Clandestina disse...

que bonito :) cada um mais belo que o outro.