PÁGINAS

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Oração

Me falta alguma certeza.As mãos cheias
o silêncio dos olhos inclinados ao mar.

Recolho migalhas de pão
para ofertar aos peregrinos do instante,

é meia noite
a poesia me visita com os olhos líquidos

fala dos braços navegando
dos passos teimando uma praia distante.

Inclino-me sobre a palavra
pássaros bicam o meu coração

a melancolia sorve meus olhos
tenho arames afinando meu canto.

o silêncio absorve minha voz
tento chegar o rosto a janela 

aconchegar o sussurro do vento
contemplar a paisagem além da montanha.

As paisagens, extensões do meu quarto
oceanos sugam o meu peito 

madrugada envolve as cordas vocais.
Há dias o sono não aquece meu pranto

sinto estar no mesmo tempo
em que os mortos regressam a mesa da vida

para celebrar o indizível,
junto a eles canto o exílio dos homens.

A solidão é bela, sublime
um movimento para o encontro.

Em meus olhos as aves extinguiram  vôo
estou tentando pertencer a algo.

Adormeço no colo da esperança:
Que a palavra me ajude a naufragar.

Sandrio Cândido

5 comentários:

Felipe Terra disse...

Muito interessante a ideia do blog...

Mostrar o trabalho - de Poetas Vivos - para que não sejam lembrados só depois da morte...



Abraço,
do Felipe.

Tania regina Contreiras disse...


Vivo e sensível poeta!
Salve...

Assis Freitas disse...

belo, belo

abraço

Tania Anjos disse...



Que lindo poema, Sandrio...

Beijos

Roberta disse...

Muito belo.

As paisagens, extensões do meu quarto
oceanos sugam o meu peito
(...)
sinto estar no mesmo tempo
em que os mortos regressam a mesa da vida