PÁGINAS

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

OS POEMAS DE CENTAURO


I
Agora que já
Estamos sozinhos
Permita-me provar

O fogo da peçonha
que alimenta
A alma inquieta

E me deixe apascentar
- Sem medo - os incautos
Girassóis do entardecer

II

Onde passeei os olhos
Havia paredes

Tateei nas redes
Do insólito

E a caligrafia do destino
Rabiscava a medo

III

Guardo os vestígios
Da tua última morada
Quando abrasavas o sexo
Das minhas mornas palavras

IV

Ruminarei as aragens
dessas mornas paisagens
e com (e)terna calma,
irei pastorear o silêncio
Na quadra de um rio

V
  
Perdoai a singela aurora
Que rouba dos olhos
A lágrima incandescente

Sinto algo de sal
Na idade reticente
Desse espírito
Que em mim habita
Essas palavras soltas

VI

Não há perdão para o silêncio
Que ora insinuas sob as vestes

Quero o pasto
delicado
da tua pele

e o repouso
sincero
de um abraço

VII

Nada mais que silêncio
Aflora desse estar inquieto
É um alvoroço sem fim
O horizonte inquebrantável

VIII

e tanta coisa era
ao mesmo tempo
- nada -

o espelho
refletindo
o deserto

o meu rosto
espraiado
na planície

e o claro enigma
da luz: decerto

Assis Freitas

4 comentários:

Tania Anjos disse...

Nossa... Super bonitos.

Abraço grande, querido poeta!

Batom e poesias disse...

O mais legal dos poemas do Assis, é que quando começo a ler, antes de saber a autoria, eu sei que é dele.
Estilo é para poucos.
Amo!

Bjs poetas

Daniela Delias disse...

Que maravilha, poeta!

Beijos!

Assis Freitas disse...

gracias, gracias


beijos e cheiros