PÁGINAS

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Mane, Tecel, Fares


Nosso banquete não sacia.
Comi o tempo inutilmente
e inutilmente é a única
palavra do epitáfio.

Mais pesada do que a terra
é a espessa pátina de tantos
desejos e outros venenos
que aqui jazem para sempre.

Sobre o peito, sobre nada
se entrecruzam meus dedos
nus e quebrados por sonhos
cheios de anéis.


[Ruy Espinheira Filho]

6 comentários:

Caroline Godtbil disse...

"Comi o tempo inutilmente
e inutilmente é a única
palavra do epitáfio..."

Doeu isso... acho que é porque ecoou bem lá dentro...

A poesia do Ruy é poderosa.
Ogrigada por compartilhar, Adrianna.
Beijo.

Adrianna Coelho disse...

Caroline, conheço a poesia do Ruy há tempo. Como vc disse é poderosa. Também é sensível e contundente... Ele é demais!

Tania Anjos disse...

Lindo poema!


Bela partilha, Adrianna. Beijo!

Tania Anjos disse...

"Nosso banquete não sacia.
Comi o tempo inutilmente..."

Como bem exprimiu a Caroline, doeu...

Jayme Ferreira Bueno disse...

Ruy Espinheira Filho, pelo que fiquei sabendo, é poeta consagrado com inúmeros livros de poesia já publicados.
Como diz o próprio poeta a sua poesia se funda na modernidade e daí não ser difícil notar certas influências de poetas modernistas como Bandeira e Cecília.
Excelente poesia para os leitores deste blog.

Daniela Delias disse...

Poxa, que coisa mais bonita...

Bjos